É fato que o cidadão ocupa, cada vez mais, uma posição de protagonismo nas democracias. Nos tempos atuais, “alcançar as pessoas” tornou-se um dos objetivos principais nos sistemas políticos democráticos. A democracia deixou de ser apenas um mecanismo para escolha de governantes, assumindo a necessidade de envolver toda a sociedade nos processos políticos. Essa nova concepção democrática passa pela aproximação das políticas públicas aos cidadãos, pelo alcance das decisões políticas a esta cidadania e pela possibilidade do controle democrático através de práticas participativas.
No cenário brasileiro, reconhecem-se as necessidades de controle, regulação, análise e avaliação de políticas públicas. Há, ainda, o reconhecimento da importância do aperfeiçoamento e da inovação, constantes na gestão das políticas públicas e de saúde.
Nesse contexto profundamente complexo, as ouvidorias públicas têm um importante papel no sentido de permitir a escuta direta da população, representando um importante avanço na Administração Pública brasileira no campo da Gestão Participativa. Apesar das ouvidorias não aparecerem expressamente na Constituição, também são produtos do protagonismo da sociedade civil, cujos desejos por participação vêm modelando uma nova forma de relacionamento entre o Estado e os usuários dos serviços públicos. Como resultados desse debate, são criadas ouvidorias por todo o país, estabelecendo os primeiros canais de comunicação do cidadão, usuário dos serviços públicos, com os dirigentes do Poder. As ouvidorias públicas são capazes de transportar o cidadão para o centro da administração pública, dando voz ativa ao indivíduo e permitindo que suas críticas, sugestões, elogios, reclamações e/ou denúncias, contribuam para correção e aprimoramento das políticas públicas. Reconhecemos que ouvir é um sentido e uma das ações humanas mais básicas e elementares na comunicação, o que nos leva a fortalecer nossas atividades no que tange a escuta direta da população.