História

Conheça a  História da Ouvidoria Geral da Cidade de Santo André

Uma trajetória construída pela participação cidadã

A história da Ouvidoria da Cidade de Santo André começa antes mesmo de sua criação formal. Ela nasce como uma ideia inovadora, inserida no plano de governo apresentado pelo então candidato a prefeito Celso Augusto Daniel para sua gestão iniciada em 1997. Naquele momento, já existia a compreensão de que uma administração pública moderna não poderia limitar-se à prestação de serviços: seria necessário criar mecanismos permanentes de diálogo, controle social e participação cidadã.

Inspirado por modelos internacionais de ouvidorias independentes — especialmente experiências desenvolvidas na Argentina, Nova Zelândia e Canadá — Celso Daniel idealizou uma instituição que não estivesse subordinada aos interesses políticos do governo de ocasião, mas que tivesse autonomia para atuar em defesa do cidadão e no aperfeiçoamento contínuo da administração pública. Essa concepção rompia com o modelo predominante no Brasil à época, em que as ouvidorias eram normalmente vinculadas diretamente ao Poder Executivo e possuíam reduzida independência institucional.

Após assumir a Prefeitura, foi constituído um grupo de trabalho responsável por desenvolver a proposta institucional da futura Ouvidoria. O projeto não foi elaborado de forma isolada dentro da administração municipal. Ao contrário, sua construção ocorreu mediante amplo diálogo com representantes da sociedade civil organizada, entidades empresariais, sindicatos, universidades, conselhos municipais, organizações comunitárias e diversos segmentos sociais.

Esse processo participativo permitiu o aperfeiçoamento da proposta original e consolidou uma das principais características da Ouvidoria de Santo André: sua natureza cidadã. Desde sua concepção, entendeu-se que a instituição deveria pertencer à população, funcionando como um espaço permanente de mediação entre os cidadãos e o Poder Público, fortalecendo a democracia participativa e estimulando a melhoria dos serviços públicos.

Como resultado desse amplo processo de construção coletiva, a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, em 30 de agosto de 1999, a Lei Municipal nº 7.877, que criou oficialmente a Ouvidoria da Cidade de Santo André.

Entretanto, a inovação não se limitou à criação do órgão. A legislação instituiu um modelo absolutamente singular no cenário brasileiro: o Ouvidor da Cidade não seria indicado pelo Prefeito, mas eleito por um colegiado composto por representantes da sociedade civil organizada.

A primeira eleição ocorreu em dezembro de 1999. Os candidatos participaram de sabatinas públicas realizadas na Câmara Municipal, onde apresentaram seus planos de trabalho e responderam aos questionamentos do colegiado e da população. Ao final do processo, foi eleito Saul Gelman, tornando-se o primeiro Ouvidor da Cidade de Santo André e iniciando um modelo democrático de escolha que permanece até os dias atuais.

Desde então, a Ouvidoria consolidou-se como uma das instituições mais respeitadas da administração pública municipal e uma referência nacional em participação social, transparência e controle cidadão.

Ao longo de sua trajetória, diferentes ouvidores contribuíram para fortalecer essa história institucional:

    • Saul Gelman (1999, 2001, 2010 e 2012); 
      Saul Gelman foi um dos maiores líderes sociais, econômicos e políticos de Santo André, reconhecido principalmente por ter sido o primeiro Ouvidor da cidade (em 1999) e por sua longa trajetória como empresário e presidente da ACISA (Associação Comercial e Industrial de Santo André).
      Nascido em 1935 e falecido em novembro de 2025 aos 90 anos, ele deixou um legado marcante no Grande ABC: 
      • Pioneiro nas Ouvidorias: Foi o primeiro Ouvidor Municipal de Santo André, eleito em 1999 e retornando ao cargo por múltiplos mandatos. Ele também atuou como conselheiro da Associação Brasileira de Ouvidores (ABO).
      • Liderança Empresarial: Comerciante de destaque, administrou a tradicional empresa familiar Sely Modas (entre 1958 e 2000) e a Distribuidora Demillus Lingerie.
      • Atuação na ACISA: Presidiu a associação comercial, onde ajudou a articular importantes projetos e foi um dos fundadores do Credi-Acisa.
  • Ronaldo Martim (2003, 2021 e reeleito para 2024–2027); 
    Ronaldo Martim é o atual Ouvidor-Geral de Santo André e uma figura histórica na instituição, reconhecido como a voz da população junto ao poder público. Ronaldo Martim atuou ainda como Ouvidor do Instituto de Previdência de Santo André (IPSA) entre 2014 e 2016.
    Hoje, ele comanda a Ouvidoria Municipal e foi reeleito em 2024 para o mandato até 2027.
    Sua trajetória inclui uma passagem anterior pela ouvidoria em 2003 e uma eleição expressiva da sociedade civil em 2021. Além disso, ele foi premiado nacionalmente pelo reconhecimento em sua gestão de conflitos institucionais.
  • Reinaldo Abud (2005 e 2007); 
    Reinaldo Abud é um advogado e figura pública de Santo André, conhecido principalmente por sua atuação como Ouvidor do Município, cargo para o qual foi eleito em 2006 e reeleito para o biênio 2008-2009. Mais tarde, ele também exerceu o cargo de superintendente da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André)
  • José Luiz Ribas Júnior (2014 e 2016); 
    José Luiz Ribas Junior é um advogado e figura pública de Santo André, amplamente conhecido por ter atuado como Ouvidor Geral do município (eleito para os mandatos de 2014 e 2016). Ele também tem forte atuação na advocacia imobiliária/condominial e exerceu o cargo de tesoureiro na diretoria da OAB Santo André.
  • Oswana Maria Fernandes Famelli (2018). 
    Oswana Fameli é uma pedagoga, psicopedagoga e empresária do setor educacional. Com forte atuação institucional no Grande ABC e no estado de São Paulo, ela teve uma trajetória de destaque na política e na gestão pública de Santo André.
    Os principais cargos que ocupou incluem:
    • Vice-Prefeita de Santo André: Eleita na chapa do ex-prefeito Carlos Grana, exerceu o mandato e chegou a assumir a chefia do Poder Executivo em substituição ao titular durante o ano de 2014.
    • Secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia: Comandou a pasta durante a gestão municipal.
    • Ouvidora do Município: Tomou posse em 2018, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Ouvidora na cidade.
    Na área da educação, além de atuar como gestora de instituições de ensino, tem forte representatividade em entidades de classe: ela é presidente da Associação de Escolas Particulares (AESP), vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (SIEEESP) e diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP).

Ao longo de mais de duas décadas de funcionamento ininterrupto, a Ouvidoria tornou-se muito mais do que um canal de recebimento de reclamações. Sua atuação passou a envolver a mediação de conflitos, a orientação dos cidadãos, o acompanhamento da qualidade dos serviços públicos, a produção de informações estratégicas para a gestão municipal e o fortalecimento dos mecanismos de participação popular.

Paralelamente, sua estrutura evoluiu acompanhando as transformações da administração pública brasileira. A incorporação de novas tecnologias, a ampliação dos canais digitais de atendimento, a utilização de plataformas eletrônicas, a produção sistemática de indicadores e a adequação às legislações nacionais sobre transparência, acesso à informação e defesa dos usuários dos serviços públicos ampliaram significativamente sua capacidade de atuação.

A promulgação da Lei Federal nº 13.460/2017, que estabeleceu normas de proteção e defesa dos usuários dos serviços públicos, reforçou ainda mais o papel das ouvidorias brasileiras. Em Santo André, entretanto, muitos dos princípios previstos na legislação federal já estavam presentes desde a concepção original do órgão, evidenciando o caráter pioneiro do modelo andreense.

Nos últimos anos, a instituição passou por um novo ciclo de modernização, culminando na aprovação da Lei Municipal nº 10.879/2025, que atualizou sua estrutura organizacional, fortaleceu sua autonomia institucional e ampliou as competências do Colegiado da Ouvidoria, preservando o modelo democrático que a distingue nacionalmente.

Atualmente, a Ouvidoria Geral da Cidade de Santo André é reconhecida como uma das mais antigas ouvidorias municipais em funcionamento contínuo no Brasil e permanece como a única cujo Ouvidor  Geral é eleito diretamente pelos membros da sociedade civil organizada, por meio de um colegiado representativo.

Essa característica reafirma sua essência institucional: ser um órgão independente, comprometido com a defesa do interesse público, com a escuta qualificada da população e com o aperfeiçoamento permanente da administração municipal.

Mais recentemente, a atuação da Ouvidoria Geral expandiu-se para além da mediação tradicional, incorporando programas permanentes de prevenção, educação e inovação institucional, como iniciativas voltadas ao combate aos assédios nos ambientes de trabalho, capacitação de servidores, atendimento itinerante, proteção de grupos vulneráveis e fortalecimento da participação social.

Assim, a história da Ouvidoria da Cidade de Santo André revela uma trajetória construída sobre valores que permanecem atuais desde sua origem: independência, participação cidadã, transparência, diálogo, ética e compromisso permanente com a melhoria dos serviços públicos.

Mais do que uma instituição administrativa, a Ouvidoria Geral consolidou-se como um patrimônio democrático da cidade de Santo André, demonstrando que governar também significa ouvir.

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