Eixo de Enfrentamento ao Calor Extremo

O Eixo de Enfrentamento ao Calor Extremo integra o programa Santo André pelo Clima e reúne ações para preparar a cidade para os impactos das temperaturas elevadas. Seu objetivo é promover a adaptação climática de Santo André, reduzindo os impactos do calor extremo e a intensidade das ilhas de calor, ampliando a infraestrutura verde e fortalecendo a resiliência urbana, com foco na melhoria das condições ambientais dos espaços públicos e na proteção da população.

A iniciativa combina planejamento territorial, ampliação da arborização, qualificação dos espaços públicos, implantação de refúgios climáticos e monitoramento das condições ambientais. A proposta é identificar os locais mais expostos ao calor e orientar soluções que contribuam para melhorar o conforto térmico e tornar a cidade mais preparada para os efeitos da mudança do clima.

Por que enfrentar o calor extremo?

O calor extremo representa um risco à saúde e ao bem-estar da população. A exposição prolongada a temperaturas elevadas pode provocar desidratação, exaustão térmica e outros agravos à saúde, com riscos maiores para crianças, pessoas idosas e pessoas que trabalham ou realizam atividades ao ar livre.

Os efeitos do calor também variam entre as regiões da cidade. Áreas com pouca vegetação, escassez de sombra, grande concentração de edificações e superfícies pavimentadas podem acumular mais calor, formando as chamadas ilhas de calor urbanas.

Identificar essas áreas e melhorar suas condições ambientais é fundamental para orientar as ações de adaptação climática, priorizar os territórios mais expostos e ampliar a proteção das pessoas que vivem, trabalham e circulam por Santo André.

O que é resfriamento passivo?

O resfriamento passivo reúne soluções que ajudam a reduzir o aquecimento dos ambientes e melhorar o conforto térmico sem depender exclusivamente de equipamentos de refrigeração.

Na cidade, isso significa ampliar a sombra das árvores e de outras estruturas, aumentar a presença de vegetação, favorecer a ventilação natural, utilizar materiais que absorvam menos calor e criar áreas permeáveis que permitam a infiltração da água no solo.

Essas medidas contribuem para reduzir a exposição direta ao sol, diminuir o aquecimento das superfícies e melhorar as condições ambientais dos espaços públicos. Quando combinadas, ajudam a enfrentar as ilhas de calor e a tornar os ambientes urbanos mais confortáveis, com benefícios ambientais e potencial de redução do consumo de energia.

Como Santo André está atuando?

O eixo está organizado em seis frentes complementares:

1. Mapeamento e georreferenciamento

Identificação de áreas com maior exposição ao calor e de espaços com potencial para receber intervenções ou funcionar como refúgios climáticos. São consideradas características como vegetação, sombra, ventilação, temperatura, acessibilidade e disponibilidade de água potável. As informações ajudam a orientar as prioridades de atuação no território.

2. Identificação e sinalização de refúgios climáticos

Definição de critérios técnicos para reconhecer e identificar locais que ofereçam proteção temporária contra o calor extremo. A proposta contempla espaços públicos, internos ou externos com condições adequadas de conforto térmico, sombra, ventilação e acesso à água potável.

3. Ampliação da arborização urbana

Expansão da cobertura arbórea, com prioridade para áreas com pouca vegetação, baixa disponibilidade de sombra e maior exposição às altas temperaturas. As árvores ajudam a bloquear a radiação solar, proporcionam sombra e contribuem para a regulação do microclima urbano.

4. Adequação dos espaços e ampliação da infraestrutura verde

Implantação de soluções de resfriamento passivo, como jardins de chuva, pisos permeáveis, materiais de maior refletância, estruturas de sombreamento e pontos de hidratação. Essas intervenções contribuem para melhorar o conforto térmico, favorecer a infiltração da água da chuva e qualificar os espaços públicos.

5. Incentivo à adequação de espaços públicos e privados

Estímulo à adoção de soluções que melhorem as condições térmicas dos ambientes urbanos. A proposta é incentivar a participação de diferentes setores na criação de espaços mais preparados para enfrentar as temperaturas elevadas.

6. Acesso à informação e monitoramento

Integração de dados ambientais para acompanhar as condições dos espaços contemplados, avaliar os resultados das intervenções e apoiar o planejamento de novas ações. A frente também prevê ampliar o acesso da população às informações e fortalecer a participação social.



Primeiro refúgio climático: Rua Senador Flaquer

A primeira intervenção do eixo será implantada na Rua Senador Flaquer, na região central de Santo André. A proposta é qualificar o espaço público para oferecer melhores condições de proteção contra o calor, combinando hidratação, sombreamento e ampliação da área verde.

O projeto prevê três medidas principais:

A combinação dessas soluções aplica os princípios do resfriamento passivo ao espaço urbano. A sombra reduz o aquecimento das superfícies expostas ao sol, enquanto a vegetação contribui para melhorar as condições ambientais do entorno. O jardim de chuva, por sua vez, associa a adaptação ao calor à gestão das águas pluviais.

O refúgio climático será uma referência inicial para o desenvolvimento da estratégia municipal, que prevê identificar outros espaços com potencial para receber intervenções semelhantes, considerando as características ambientais e a exposição ao calor em diferentes regiões da cidade.


Um compromisso de Santo André com a ação climática

O Eixo de Enfrentamento ao Calor Extremo também está relacionado à adesão de Santo André ao Mutirão Global contra o Calor Extremo (Beat the Heat), durante a COP30, realizada em Belém do Pará, em 2025.

A iniciativa internacional, liderada pela Presidência brasileira da COP30 em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Cool Coalition, incentiva ações para avaliar e planejar respostas ao calor, promover o resfriamento passivo e ampliar soluções sustentáveis nos ambientes urbanos.

Em Santo André, esse compromisso se traduz na organização de ações locais para mapear áreas expostas ao calor, qualificar espaços públicos e ampliar a infraestrutura verde. A integração entre planejamento, intervenções urbanas e monitoramento contribui para fortalecer a capacidade de adaptação do município.

Com o eixo, Santo André avança na construção de uma cidade mais preparada para os efeitos da mudança do clima, com espaços públicos ambientalmente qualificados e ações voltadas à proteção da população.

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